Terça-feira, 30 de Janeiro de 2007

As condições da creches

Todas as crianças deveriam ter a possibilidade de ficar com a mãe ou uma avó, ou alguém próximo, que podesse prestrar os cuidados individualizados que são necessários, pelo menos até aos 12 meses, ou mesmo até aos 24 meses. No entanto, a não ser que a família tenha condições para isso, uma avó disponível, por exemplo, contratar uma ama para acompanhar a criança na sua própria casa, é algo dispendioso e, por isso, não ao alcance da maioria das famílias. Então, as soluções mais utilizadas são as amas, que recebem mais do que uma criança em suas casas, e as creches.

As creches, por muito boas que sejam, acarretam diversas dificuldades para as crianças:

  • têm que se adaptar a ritmos uniformizados que permitam cuidar de várias crianças, da mesma idade, ao mesmo tempo (hora da sesta, hora das refeições, tempos dedicados às sestas e, por último, tempo de simplesmente brincar);

  • o tempo que os adultos dedicam a cada criança é repartido por todas e, por vezes a sobrecarga de trabalho para cada adulto é tal que a disponibilidade nem sempre é a merecida, pela criança - por exemplo, a hora de mudar a fralda em vez de ser um momento de comunicação visual, tactil,..., é feito de forma mecânica como se de um objecto se tratasse;

  • existem também os problemas de sáude, como o contacto que as crianças têm com muitas doenças, com meses de vida.

Cuidar de crianças dos 0 aos 3 anos é algo que não é rentável económicamente. Para cuidados de qualidade, para além de espaços físicos adequados, as condições humanas são essenciais: muitos adultos e poucas crianças - quando falo em muitos adultos há que salvaguardar que cada criança não pode estar à guarda de vários adultos, pois o mesmo adulto deve cuidar sempre da mesma criança, por uma questão de um desenvolvimento afectivo equilibrado da criança. Além disso, o trabalho realizado é pouco valorizado socialmente levando a poucas condições como baixos salários e muitas horas de trabalho, entre outros aspectos.

Nas condições actuais é importante que as famílias conheçam bem as condições em que as crianças ficam durante o dia e que possam ficar com elas o mais possível.

Apesar do nosso país viver uma situação economicamente não muito favorável, temos que ter consciência que educação e dinheiro são dois ingredientes pouco compatíveis e que, por isso, a oferta educativa da primeira infância não devia estar nas mãos de particulares que gerem o seu estabelecimento educativo como uma empresa, com fins lucrativos, mas sim sob a tutela do Ministério da Educação. A educação destas idades é uma questão muito sensível da nossa sociedade, e a forma como a tratamos, actualmente, terá os seus efeitos no futuro.

sinto-me:
publicado por pcscarvalho às 15:19
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